Não é que meu amor por você tenha diminuído, é só que meu amor-próprio aumentou. E eu tive que escolher entre o seu amor e o meu. E eu vou estar comigo para sempre, não importa o que aconteça. Já com você, existe alguns se's que só de pensar a respeito o amor diminuiria ou, ao menos, perderia a importância. Então, pela primeira vez, escolho me amar.
Quando eu queria te amar, só tinha olhos pra você, fazia de tudo pra te ver feliz, com aquela sensação de que se você estivesse feliz, eu também estaria. Mas não, fui esperando e esperando e essa sua felicidade só me trazia um sorriso no rosto que é até bom, mas não o bastante. Queria tanto te fazer bem, que confundia as coisas que você gostava com as minhas, já não sabia qual parte de mim era a que você queria que eu fosse e qual era eu de verdade. Eu era até feliz com você porque, cara, eu te amo mesmo. Mas era uma felicidade tão batalhada, tão sofrida que ficava cansada. Fiquei até por uns tempos achando que amar era assim mesmo, que amar era sofrido, que cansava. Pode até que que seja, o que não acredito muito, mas não quero mais me cansar assim, quero depender só de mim pra ser feliz, sem cansar ninguém.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
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Cartas que eu não mando (II)
quarta-feira, 24 de março de 2010
Não sei o que aconteceu com a gente, o nosso desprezo sempre foi substituído por uma amizade excêntrica. E, hoje, nosso desprezo não é mais engraçado, é, no mínimo, formal. E formalidade nunca teve a nossa cara. Não sei se sinto falta. Aliás, uma pessoa importante faz falta sim, é só que estou acostumada com esse entra e sai de pessoas importantes, que o sentir falta parou de ser algo extraordinário e virou uma coisa natural na minha vida. Eu queria ter sido melhor, mas sei que não seria, porque como você diz, eu prefiro contar o que estou sentindo pra um desconhecido do que pra um amigo que está do meu lado. E você tem razão. Não conseguiria viver com alguém que me conhecesse tão bem, por medo talvez, não sei. Acho que vou mudar isso, mas você não me pegou nessa transição e nem te dei essa chance. O que me deixa aborrecida foi o modo como isso terminou, um modo bobo. "Parem de bobagem", diziam os outros. E eu realmente queria parar, mas algo me impedia. Orgulho, talvez. Nunca achei que seria uma pessoa orgulhosa, mas minhas atitudes me mostram o contrário. É até engraçado como que para alguns eu sou o oposto do que você acha de mim, e o mais engraçado ainda é saber que todos têm razão, eu sou isso tudo mesmo, essa mistura de atitudes e sentimentos que me definem. Você ficou com a pior parte, aliás, viu, porquê ninguém é feito de partes. Muitas vezes confundiu minha educação com falsidade, mas é que até hoje não aprendi a virar o rosto pra ninguém, e nem quero isso. Não gostar de alguém nunca significou destratação pra mim. Isso não está em mim. E nem nego quando você diz que confiar, confiar mesmo, só confio em pouquíssimas pessoas, e que elas talvez nem desconfiem disso. E das que acham que eu confio, só dou uma casquinha do que realmente sou. Aliás, não é questão de ser e sim de sentir. Eu sou assim. E se meu jeito não foi o que você esperava ou queria, eu sinto muito. Mas eu estou melhorando, ou piorando pra alguns, é que querer melhorar a cada dia também faz parte de mim, e talvez a minha definição de melhorar não seja a mesma que a sua, mas a vida anda me dando meios para que isso aconteça e eu estou tentando não desperdiçá-los, apesar de desperdiçar. Eu espero que você não os desperdice, que seja até melhor do que eu. Te desejo uma fé enorme, principalmente em você, porque eu tenho. Nem precisa gostar de mim, só precisa saber que teve um dia que alguém te quis muito bem, mas não soube demonstrar isso.
Fique bem,
Valéria.
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Marcadores: cartas que eu não mando
terça-feira, 9 de março de 2010
Caio Fernando Abreu
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saudade.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
a saudade não se mede pelo tempo da ausência, mas pela intensidade da presença.
no discurso amoroso, ela se esconde em letras e canções de uma determinada época. aparece quando cruzo com alguém que usa o mesmo perfume. habita pequenos fatos cotidianos, que geralmente passariam despercebidos, mas com você faria todo sentido.
quando acomete, tem urgência. é o coração querendo retornar. para lugares que talvez nem existam mais. para planos que desistimos. ou que desistiram da gente.
mas continuo elaborando novos planos e crio mundos com minhas expectativas. a saudade é a distância entre eu e como eu gostaria de estar.
ilustração: marina faria
texto: tiago yonamine
Postado por Valéria A. às 10:20 4 comentários
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Eu poderia te amar. Podíamos até sermos felizes para sempre. Nossa história poderia até virar um romance meloso de banca de jornal. Podíamos ficar horas no telefone só esperando o outro desligar. Andar de mãos dadas pelas ruas e ter a sensação que o mundo está sorrindo para um amor tão bonito. Acordar de manhã e ficar admirando a cara amassada do outro,e achar lindo, e achar que a melhor pessoa do mundo está do meu lado. Podíamos sentir um frio na barriga toda vez que olhássemos dentro dos olhos do outro, e vermos o infinito. Podíamos deixar a tristeza de lado, só com um sorriso. E querer que cada segundo vire horas, a cada abraço que receber, "o melhor lugar do mundo é dentro do seu abraço".
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Euclides da Cunha (1866-1909)
Se acaso uma alma se fotografasse
de sorte que, nos mesmos negativos,
A mesma luz pusesse em traços vivos
O nosso coração e a nossa face;
E os nossos ideais, e os mais cativos
De nossos sonhos... Se a emoção que nasce
Em nós, também nas chapas se gravasse
Mesmo em ligeiros traços fugitivos;
Amigo! tu terias com certeza
A mais completa e insólita surpresa
Notando - deste grupo bem no meio -
Que o mais belo, o mais forte, o mais ardente
Destes sujeitos é precisamente
O mais triste, o mais pálido, o mais feio.
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terça-feira, 13 de outubro de 2009
"Mas vem o dia em que a mulher desperta dentro da mocinha. Ela sonha com um visitante que mereça a nota 19. Um 19 pesa no fundo de seu coração. Então um imbecil se apresenta. Pela primeira vez aqueles olhos tão agudos se enganam - e vêem o imbecil pintado em cores lindas. Se o imbecil diz versos, ela o julga poeta. Pensa que ele compreende o assoalho esburacado, que ele adora os mangustos. Pensa que ele se alegra com a confiança das víboras brincando em seus pés, debaixo da mesa. Dá-lhe o coração que é um jardim selvagem - a ele, que só ama os parques bem tratados. E o imbecil leva a princesa como sua escrava."
Terra dos Homens - Saint-Exupery
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